quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sobre o filme "Suspiria"


Violência gráfica com realismo sempre me perturbou.
Filmes de terror em si, não.
Assisto a eles sozinho em casa sem medo, sem receio.
Suspiria quebrou esse paradigma pra mim. Não pela sua história - que pouco tem de convincente ou amedrontadora no mundo real - ou nem mesmo pelas brutais e explícitas cenas de assassinato, mas sim pelas sensações que esse filme provoca e que ficam gravadas na mente por um bom tempo.

O diretor italiano Dario Argento, considerado um mestre, usa aqui algo que poucos dos considerados mestres do terror usam como estratégia.
Um filme de terror que se leva a sério e é cinematograficamente bom, geralmente prefere esconder o que tem de mais horrível pro final, utilizando o suspense crescente para chegar a um clímax agoniante.
Argento teve porém a ideia genial de deixar pro início a coisa mais horrenda e explícita que ele tinha em mãos, não para estragar o clímax, mas para fazer com que ficássemos durante o filme inteiro apreensivos a respeito de ver algo parecido com aquilo novamente.
E é justamente nisso que se concentra nosso receio. 

E ele não nos desaponta, ele nos coloca frente a frente com o horror novamente, mas este se ofusca perante todos os artifícios que ele usa para nos deixar apreensivos.

Acordes altos na trilha sonora pra dar susto? Isso é para os fracos. Em algumas cenas, a trilha sonora é tudo o que temos para nos agarrar e ela nos deixa na mão, sendo aquela trilha alta, perturbadora e aterrorizante, fazendo o papel que em outros filmes a apreensão fácil dos vultos e gatos atrás das janelas faria.
Para que fotografia com pouca saturação se você pode aterrorizar com cores e contrastes que quase doem nos olhos de tão fortes? Aqui os corredores escuros com portas que rangem são substituídos por paredes vermelhas e portas tão hermeticamente fechadas que nos fazem querer saber o que tem lá atrás ao mesmo tempo em que tememos saber.

Sem nenhuma atuação memorável ou sem um enredo genial (na verdade o roteiro nos deixa várias pontas soltas, às quais não damos a mínima atenção enquanto assistimos), o terror E o horror de Suspiria se concentram na genialidade visual e sonora, mostrando que o bom cinema não precisa seguir regras ou clichés para ser bom, mas também não precisa fugir deles para ser original.

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