quinta-feira, 31 de maio de 2018

Sobre o filme Pantera Negra: Quando a importância transcende a qualidade


Sejamos honestos: "Pantera Negra", analisando de forma técnica, é ótimo, e é um dos melhores filmes da Marvel, mas não é excelente. Há vários problemas ali.
O mais óbvio de todos é a computação gráfica, sobretudo no clímax, que prejudica um pouco a experiência ao afastar o que está acontecendo da realidade. Há um incômodo no CGI meio falso para o espectador de 2018, tão acostumado a excelentes efeitos visuais. Além disso, à exceção da ótima sequência na Coreia, não há nada muito criativo em termos de direção e cinematografia na ação do filme. Talvez isso se explique pela inexperiência do diretor, Ryan Coogler, no gênero puro da ação (ele fez um excelente trabalho em "Fruitvale Station" e "Creed"). Isso não significa que o filme não é bem filmado. Há uma cena que começa de ponta cabeça de uma forma particularmente inspirada, alguns shots são belíssimos e parecem propositalmente feitos para parecerem páginas de quadrinhos, além da beleza de Wakanda. Tenho um pequeno problema também na forma com que os fatos da narrativa são distribuídos. Há pouco espaço para coisas importantes e muito espaço para coisas não tão importantes assim (como a batalha final ser extensa demais enquanto sacrifica um pouco do desenvolvimento do excelente vilão que a trama tem - sobretudo se levarmos em consideração os fatores que abordei acima). O filme poderia ter ido um pouco mais longe em seu "enchimento" dramático e isso é palpável na forma final do roteiro.
Mas, em nenhum momento, isso tira a diversão, a beleza, a boa jornada do herói e, principalmente, a importância da discussão que "Pantera Negra" traz.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Sobre gerações de nerds: Há 15 anos, X-Men 2 fazia por mim o que Guerra Infinita está fazendo agora


Hoje, X-Men 2 completa 15 anos (e por isso, este texto estará cheio de spoilers do filme).
Quem já leu textos aqui no blog sabe quanto eu curto X-Men. Dos desenhos aos filmes.
Já até defendi o Bryan Singer aqui - coisa que não faço mais hoje, tanto pela conduta pessoal dele, quanto pelo fato dele ter sido o responsável pela atrocidade que foi X-Men Apocalypse.
Já mostrei aqui também que tenho uma opinião diferente da maioria dos fãs de quadrinhos a respeito de adaptações cinematográficas.
Por essas razões, não deixa de me incomodar e me entristecer que filmes que foram importantíssimos pra mim e que considero excelentes até hoje parecem não ter tanta importância assim ou não impressiona a nova geração de nerds, que parece não ver a hora da Marvel finalmente colocar as mãos nos mutantes e colocá-los junto com os Vingadores nas telonas - possibilidade agora real, já que a compra da Fox pela Disney já está finalizada por parte das empresas e só não dará certo se, de alguma forma a regulamentação norte-americana não aprová-la.
Eu não estou tão ansioso assim (embora esteja em alguns aspectos), e os mais jovens dificilmente compreendem minha não empolgação em ver os X-Men na Marvel Studios.
Observando as reações a Guerra Infinita - o primeiro filme da Marvel que realmente me deixou apreensivo e tenso em relação ao destino dos personagens - eu entendi um pouco o que X-Men fez por mim que talvez a nova geração não compreenda.

sábado, 3 de junho de 2017

Sobre o filme "Corra!": O filme é isso tudo SIM!



Um passeio no gênero: terror ou suspense?

Desde que tomei a decisão pessoal de não assistir mais filmes de terror (isso rende outro textão), abri duas exceções das quais eu não me arrependi. Uma delas foi o australiano "The Babadook", que é um excelente filme de terror, mas, mais do que isso, é uma fantástica metáfora à depressão decorrente do luto como vivida pelas pessoas na vida real - incluindo seu desfecho que, para muitos, foi insatisfatório.
"The Babadook" me lembrou de como o terror às vezes pode ser usado, não como puro entretenimento sádico para aliviar nossos medos reais, mas para reflexões mais profundas através do exagero e do absurdo das situações impostas. Lembro-me de ficar impressionado como a diretora Jennifer Kent foi feliz em demonstrar a percepção pessimista da personagem principal, em como as coisas parecem fora do lugar, exageradas e isso não é um ponto contra, mas a favor do filme: esses pequenos exageros expõem a situação crítica da mulher traumatizada pela morte do marido, cuja causa da morte foi um acidente que ocorreu enquanto ele a levava para o hospital, pois estava em trabalho de parto.
Esse ponto de vista da paranoia do personagem principal é usado exaustivamente nos filmes do gênero, mas poucos realmente usam de forma inteligente e perspicaz, como quando Roman Polanski resolve focar na paranoia da personagem de Mia Farrow em "O Bebê de Rosemary", levantando questões relacionadas à figura da mulher passiva e objetificada ou quando "Mulheres Perfeitas" (1975) satiriza descaradamente a misoginia e o machismo, ou ainda quando, em "Violência Gratuita" (1997/2007), Michael Haneke te choca e te incomoda com a violência, sempre filmada por ele "no lugar errado", usando a quebra de quarta parede para criticar os chamados torture porns (filmes como "O Albergue" e "Jogos Mortais") - inclusive no remake de 2007, que parece criticas a onda desse subgênero que se instalou de repente nos anos 2000 .
Essa característica não é exclusiva do gênero terror em si, mas sim da sátira.
A sátira expõe defeitos e incoerências de pessoas, instituições ou mesmo da sociedade através da ridicularização. Essa ridicularização é dada justamente pelo absurdo e exagero das situações.

E é aí que entra a segunda exceção que abri: o recente "Corra!" (Get Out), a estreia do comediante (!) Jordan Peele na direção.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sobre o filme Batman v Superman: A Origem da Justiça

Obs.: A resenha a seguir possui alguns spoilers do filme.



Eu li o seguinte comentário sobre os filmes do Universo Expandido Cinematográfico da DC (vou chamar aqui de DCEU):
"O grande problema é que analisam os atuais filmes da DC como se fossem escolhidos na corrida para o Oscar. Por estarem acostumados com o padrão Marvel, eles querem fazer uma crítica aprofundada naquilo que é diferente."

Ainda não posso falar sobre Esquadrão Suicida, mas posso falar sobre Batman v Superman: a vantagem que a Marvel tem é que mesmo seus filmes medianos, presos àqueles enredos formulaicos e pouco inventivos, funcionam para o que se propõem.
Aparentemente os do DCEU propõem algo diferente, mas que não funciona. Não funciona como filme de herói e nem como filme.