quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sobre o Filme Êxodo - Deuses e Reis


Ridley Scott é um grande diretor. Sabe como criar suspense e como criar cenas épicas.
Tem obras primas clássicas no seu currículo, como Alien e Gladiador. Mas tem alguns filmes menos expressivos e mais criticados como Robin Hood.
Êxodo, infelizmente, ficou no meio termo.

O filme começa bem, estabelece bem os personagens, mesmo sem ficar apresentando-os com flashbacks ou flashforwards. Mas fica nisso.
Christian Bale é ótimo ator como sempre, mas Joel Edgerton não tem talento suficiente pra brigar com seu rival na tela. Isso fora os talentos desperdiçados em personagens fracos de Ben Kingsley e Sigourney Weaver.

O roteiro escrito a quatro mãos parece não se decidir em quê focar: se numa metáfora sócio-política, se na jornada de Moisés como líder, ou se numa fraca discussão religiosa sobre fé e atos divinos.

Aliás, nesse último quesito, o filme ousou pouco e parece extremamente político ao alimentar tanto os pontos de vista mais espirituais quanto os filosóficos e racionais, e parece não querer irritar os religiosos na mesma medida que quer incitar os que enxergam a narrativa bíblica como fábula.
Para isso ele manteve a linha básica narrativa do Êxodo bíblico, mas racionalizou o máximo que pode todas as situações, tornando o filme ambíguo do ponto de vista religioso e filosófico. Afinal, o que vimos foram atos divinos ou foi uma crítica a maneira que usamos justificativas sobrenaturais para as coisas que acontecem?
Essa poderia ser uma discussão interessante se o filme não falhasse em estabelecer certa consistência no roteiro e na maneira como lidam com o assunto.


No meio de todos esses meio termos o filme cria momentos de choque ou sensibilidade aqui e ali, mas na maior parte do tempo falha em cativar o espectador, seja com um roteiro consistente ou com personagens carismáticos.
Claro que isso não tira a habilidade do diretor de criar suas ótimas cenas de suspense ou as suas cenas épicas que enchem os olhos.
Mesmo que ele não leve à tela exatamente o que o público espera – seja quem quer ver uma narrativa fiel ao texto original ou mesmo quem só quer ver o que viu no trailer – ele sempre dá um jeito de nos impressionar, desde as cenas mais simples e singelas como a poesia visual que ele faz com os contrastes entre Moisés e Ramsés, até as sequências grandiosas como a do Mar Vermelho ou as sequências das pragas.
E isso tanto em movimentação de câmera e fotografia quanto em efeitos visuais.

O filme também não economiza na violência, que embora nunca seja pesada como é em Gladiador ou Alien, também não é irrelevante ou mesmo menos chocante em certos momentos. 

No final das contas a sensação que fica é que durante todo tempo há uma disputa entre elementos de roteiro e direção para levar o filme a lugares diferentes e no fim das contas termina sem definir direito onde ele queria ir.

Infelizmente. Com tudo o que tinha em mãos, poderia ser o filme do ano.

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