sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sobre o Filme "A Origem"


Desde que assisti "Batman Begins", me tornei fã do Christopher Nolan. Mas mal sabia eu que ele ainda me traria muitas gratas surpresas, como "O Grande Truque" e o "Cavaleiro das Trevas".
Quando assisti "A Origem", só confirmei minhas suspeitas da genialidade do novo "queridinho" de Hollywood.
"A Origem" (Inception) é basicamente um filme de roubo. A diferença entre os filmes de roubo que já vimos e este, é que no caso, os roubos acontecem dentro do mundo dos sonhos. Acontece que a trama do filme gira em torno de um processo contrário, mas não vou entrar em detalhes para evitar spoilers.
O Nolan tem esse dom de agradar ao público popular e ao público 'cinéfilo-cult' ao mesmo tempo e o maior exemplo disso é esse filme. Ele coloca toda a carga cultural e emocional de forma que todo mundo entenda, desde que preste uma atenção penitente na história. Christopher faz isso tão bem, que sempre acha uma maneira de fazer com que pessoas que tenham uma carga de conhecimento prévio menor consiga captar a história, e quem tem essa carga cultural maior consegue perceber nuances mais imperceptíveis a uma análise superficial.
Por exemplo, quem tem algum conhecimento de mitologia grega vai perceber uma intertextualidade entre o nome de uma das personagens do filme e outra personagem famosa na mitologia, e não só entre o nome delas, mas essa brincadeira está contida também no papel que elas cumprem nas suas histórias...
O legal desse ecletismo que o Nolan permite no seu enredo é que ele consegue casar popular e cult sem parecer que está indeciso entre as duas coisas. A única desvantagem desse processo é que os diálogos do filme se tornam extremamente explicativos em situações que não exigiriam tal recurso.
Tudo isso se encontra no meio de um vórtice de cenas espetaculares, que carregam efeitos especiais que não servem apenas para enfeitar -e nem são exatamente realistas - mas ajudam a narrar a história, que por si só já é uma completa viagem, um culto ao absurdo.
Interessante perceber que o absurdo da história se torna plausível ao espectador pela sobriedade da estética do filme. Isso também se deve ao fato de que o roteiro cuida de criar uma ligação entre o que sonhamos e o que é mostrado, através de elementos que podemos identificar das lembranças de sonhos que nós já tivemos e crenças generalizadas a respeito do nosso estado onírico, como por exemplo, o fato de uma musica que está sendo tocada no "mundo real", pode ser ouvida no sonho sem que o sonhador acorde.
Todos esses elementos se somam ao elenco competente do filme. O Leo Di Caprio está em boa forma como Cobb, apesar de não ter feito nada além de reprisar a figura básica de seu personagem no seu filme anterior "Ilha do Medo.
Ellen Page faz um trabalho ótimo, mesmo que eu considere que ela poderia fazer algo mais ousado, devido à importância do papel dela no enredo. Talvez ela não pudesse bater de frente com a linda, misteriosa e perigosa personagem da maravilhosa Marion Cotillard, a mulher de Cobb, que a despeito da situação na qual se encontra, pode atrapalhar irremediavelmente os planos do marido.
Tom Hardy está ótimo, Ken Watanabe dá conta do recado, enquanto Cillian Murphy, Joseph Gordon-Levitt e Tom Berenger se mostram bem contidos. Michael Caine é Michael Caine, mesmo aparecendo pouco no filme.
A direção foi corretíssima, fotografia perfeita, montagem extremamente competente, a trilha sonora não é a melhor do Zimmer, mas é adequada.
Prestar muita atenção é fundamental. O roteiro não é complexo como um "O Grande Truque" da vida, mas suas viagens exigem uma certa atenção redobrada para que consigamos acompanhar os fatos, o que não torna a experiência desagradável.
No fim das contas, a união de todos esses elementos, resultou numa experiência que, se não valer a pena pela história, valerá pelo visual. E o desfecho de tudo ainda deixa uma oportunidade do espectador manipular a história a seu gosto.
Numa sacada, ao meu ver, genial, Nolan nos presenteia com mais uma obra de arte do cinema que se sobressai entre tantos enlatados de baixa qualidade que vemos nos dias de hoje.
Não é babação de ovo! Não considero "A Origem" um filme perfeito, mas com certeza vale a pena.

2 comentários:

  1. Eu considero sim A Origem um filme perfeito. E discordei de poucas coisas que você escreveu, bem poucas mesmo, e apenas da metade do seu texto em diante.

    Marion Cotillard esteve maravilhosa em Piaf e só. Não vi nenhum outro trabalho dela posterior que confirmasse seu desempenho acima da média. Mas como escrevi no Filmow, a culpa não é dela. Ellen Page e ela foram feitas para papéis intensos e difíceis. Personagens 'simples' apagam o talento delas, de certa forma.

    Você achou o Joseph Gordon-Levitt contido? Ele sim eu achei absolutamente maravilhoso! Mostrando a cada novo filme que está amadurecendo e cumprindo a promessa de excelente ator que sempre demonstrou que seria, desde os tempos de 10 Coisas Que Odeio Em Você. E a cada dia que passa, está mais parecido com Heath Ledger, tanto fisicamente, quanto em excelência e talento.

    Sobre Nolan, prefiro abster-me de comentários, pelo menos por enquanto. Fico sempre pisando em ovos com queridinhos de Hollywood que considero ótimos diretores, pois quase sempre acabam fazendo uma grande cagada que compromete o que de bom já havia sido feito. Torço pra ele esteja nas exceções.

    Beijo, Jon! :*

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  2. Acho a Marion divina! *.* Ela não é uma Natalie Portman da vida, mas ela convenceu muito nesse ar paradoxal da sua personagem que oscila entre uma mãe de família perturbada e uma femme fatale.

    Qto ao Joseph G-L, eu o acho ótimo, mas continuo achando contida a sua participação no filme, acho até que, no mesmo caso da Marion e da Ellen, isso se deve um pouco ao personagem. Na minha opinião o Tom Hardy rouba a cena dele.

    Sobre o Nolan, tbm espero que ele esteja nas exceções, até então ele nao me decepcionou. A não ser pela participação na escolha da Anne Hathaway para a mulher gato... enfim, só vai dar para saber se foi acertada qdo o filme sair...

    Beijo, Nana querida!

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