quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre o Reboot do Quarteto Fantástico



Quem me conhece e acompanha o blog, sabe que eu defendi o reboot do Quarteto Fantástico com unhas e dentes antes dele estrear e ficou ainda mais difícil de defender quando saíram as primeiras reações.
Quem me conhece sabe também que acho mais frustrante do que perder meu tempo assistindo um filme do qual não salva nada, é assistir um filme que tinha tudo pra ser bom. Ideias fantásticas desperdiçadas em péssimos filmes.
Muitos fãs de quadrinhos já discordavam de mim antes do filme sair. E continuo com a minha teimosia no sentido de que, depois de assistir o filme, continuo com a impressão de que ele poderia ser muito, mas muito mais do que foi, mesmo sendo baseado no Universo Ultimate, mesmo com a Sue Storm adotada, mesmo com o elenco com cara de adolescente, mesmo com a pegada mais sci-fi do que de super heróis.
O problema do filme não está nessas coisas, na verdade é justamente nelas que residia o maior potencial do filme.

O problema está na execução mesmo.
Ao assistir o filme não consigo deixar de pensar que talvez Josh Trank, o diretor do filme, estivesse dizendo a verdade quando disse no Twitter que o filme que foi para as telas não foi o que ele dirigiu.
Veja por que eu digo isso:

Josh Trank é um diretor com um potencial gigantesco. Seu filme anterior, "Chronicle" (Poder Sem Limites no Brasil), tem alguns problemas sérios no roteiro, mas foi muito bem dirigido pelo Trank, que demonstrou uma grande sensibilidade no aproveitamento dos recursos disponíveis e criatividade ao usá-los. "Chronicle" foi gravado em  found footage (ou filmagens encontradas, estilo que ficou popular em filmes de terror como "A Bruxa de Blair", "REC" e "Atividade Paranormal")  e o modo como Trank usa o recurso no filme beira o genial, inovando na hora de usar um estilo que geralmente aproveita bem pouco do que oferece.

Outro elemento do filme que parece ter sido sabotado: o roteiro.
Para não seguir o mesmíssimo caminho dos filmes anteriores da equipe, a escolha da Fox foi utilizar como base a origem dos quadrinhos do Universo Ultimate da Marvel. E os 30 minutos iniciais do filme seguem essa ideia à risca, com as devidas adaptações. Tudo no início do filme faz pelo menos referência à origem do Ultimate.
O roteiro foi escrito por Simon Kinberg, que tem seus altos e baixos - como o truncado X-Men 3 e o ótimo X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Além disso, está sendo bastante elogiado por "Perdido em Marte" - que estreia nesta semana, no dia 1º de Outubro de 2015.

Há informações confirmadas e também rumores que falam sobre como a Fox não havia gostado muito da versão original do filme e mandou fazerem refilmagens. E isso é um enorme problema: A Kate Mara, assim que terminou a gravação do filme, cortou o cabelo, e fica BEM claro as cenas em que ela está com uma peruca horrível e na cena seguinte ela volta ao seu cabelo natural.
Além disso, tem MUITAS, e quando digo muitas, são muitas mesmo, cenas do trailer que não estão no filme.
Mas antes os problemas fossem as refilmagens e a peruca da Mara (A peruca horrorosa da Halle Berry não impediu X-Men - O Filme de ser um ótimo filme).

O filme começa bem e tem diversos bons momentos.
O início é eficiente ao mostrar a infância de Reed e Ben (muito fiel ao original em diversos aspectos), introduz bem os personagens no mundo do Edifício Baxter. A cena do acidente no Planeta Zero - nome que deram para a Zona Negativa no filme - é tensa e a maneira como eles descobrem os resultados é dramática e até assustadora, de um modo positivo, mostrando diretamente as referências a David Cronenberg que Trank citou como influência.
Só que depois disso, temos um salto de tempo e é aí que a coisa degringola ladeira abaixo.
A trama passa de um sci-fi com influências interessantes para um amontoado de traminhas desinteressantes, todo o desenvolvimento dos personagens é simplesmente deixado de lado e ao mesmo tempo que o roteiro apressa todas as coisas, o filme parece que durou mais do que deveria para, por fim, chegar a um clímax que sequer merce o título e funciona mais como anticlímax.
Além do roteiro truncado, caricaturização dos personagens e efeitos especiais mal feitos, o filme sequer tem apelo comercial como os filmes da Marvel Studios, que mesmo quando apresentam roteiros ruins e direção truncada, entregam pelo menos diversão. Aliás, talvez o maior erro da Fox foi mandar refilmar pra deixar o filme mais comercial. Se tivesse seguido a linha sci-fi, talvez fizesse parte do hall dos que não tiveram boa bilheteria, mas pelo menos foram bem aceitos pela crítica.

A julgar pelo cabelo da Sue, TODA a cena da luta final foi refilmada - TODA - o que explicaria não só a computação gráfica nível de série de TV sem orçamento da HBO, como também a pressa em terminar tudo. O que é extremamente frustrante, uma vez que você tem a impressão de estar vendo um interessante piloto de série e do nada pular para um final de temporada horroroso.
Depois do salto temporal, apenas três cenas merecem um desconto: Reed usando seus poderes para mudar seu rosto, Doom tocando o terror no Edifício Baxter (que é uma cena assustadora e, mais uma vez a julgar pelo cabelo da Sue, estava no corte original) e a direção de câmera criativa do Trank vista em "Chronicle" dá o ar de sua graça quando o quarteto é sugado para o Planeta Zero - mesmo com a computação gráfica ruim, é um excerto de cena muito bem conduzido pelo diretor.

É triste que um diretor promissor seja podado pela produtora, o roteiro seja manipulado a ponto de não fazer mais sentido e o elenco com potencial, e arrisco dizer, melhor que o elenco dos dois filmes anteriores, seja desperdiçado assim - Michael B Jordan mostrou a que veio em "Fruitvalle Station", Miles Teller fez um ótimo trabalho dramático em "Whiplash", Kate Mara tem seus méritos por seus trabalhos em séries como "American Horror Story" e "House of Cards", e Jamie Bell já vem provando que se bem dirigido sabe ser ótimo ator desde "Billy Elliot".

A Fox parece estar ponderando ainda se vai fazer uma continuação. Pelo acordo que fizeram com a Marvel, eles tem mais dez anos pra lançar outro filme e não perder os direitos e os executivos já disseram que ainda não desistiram do Quarteto. Então pode ser que acabem fazendo como fizeram já com outras franquias e, mesmo com o fracasso de crítica e bilheteria, deem uma segunda chance ao Quarteto,, porém com um novo time criativo - que segundo rumores, pode ter Bryan Singer (X-Men 1, 2 e Dias de Um Futuro Esquecido), na direção.
Ao contrário do que muitos pensam, creio que o filme pode render sim uma boa continuação se for entregue nas mãos certas.

Um comentário:

  1. Vamos lá. Não sou puritano e aprecio releituras. Mas é preciso não inovar demais quando se trata desse Universo que vive um momento em suas adaptações mas que ainda conta com a força daqueles que consumiram os quadrinhos. Dessa forma correu-se o risco ao tirar os irmãos de sangue e buscar a alternativa que encontraram.

    Mas concordo que isso teria lá suas resistências mas poderia funcionar. Transformar o um dos maiores vilões da história em jovem cheio de questões rebeldes contra o mundo foi FRACO.

    Contar a história dos meninos, legal, mas a apresentação ja que foi tão longe poderia mostrar um Ben mais casca grossa que realmente protegeu, o Reed na escola sendo quase um guarda-costas. Parece edição de uma série. Em alguns momentos cenas as coisas são bem longas. Em outras vai rápido demais. A Fox da sinais de ansiedade. Iniciou X-men bem depois começou atropelar. Matar personagens... Esse é um principio raramente praticado no mundo dos heróis e mitos.

    Os mutantes começaram bem depois se tornaram uma salada. Dente de Sabre meio irmão do Wolverine. Excelente caracterização do Noturno se perdeu em meio aos filmes da franquia. E a cada filme a impressão é que tudo pode não ter acontecido. E que os erros ficarão em dias esquecidos.

    Mas voltando ao Quarteto Fantástico. Ben não tem personalidade forte e tornar-se pedra ou o Coisa pode ser reflexo de não ser ninguém. Importante uma sem cara (face) quase invisível social. Uma Coisa que o deixa ainda mais angustiado. De positivo ele citar a frase do irmão como seu cartão de visitas.

    Reed uma mente brilhante, mas pouco explorado como líder, bem diferente do personagem também que continuou sendo chato e fora de seu tempo. Embora o ator tenha se esforçado para dar um certo carisma. Que faltou também nos irmãos adotivos ou não. Tocha parecia uma centelha do espirituoso personagem que com Robin e Homem-Aranha sempre misturaram imaturidade a responsabilidade com seus poderes.

    A impressão que fica é que os filmes anteriores tinham alcançado os espectadores e mexeram demais.

    Quanto a relação Marvel e as duas marcas que estão sobre a gestão da Fox, o cartaz da marvel de 2015 não tem X-men nem Quarteto Fantástico. Stan Lee que também não apareceu no filme não está nada satisfeito.

    Concordo que nas mãos certas as coisas melhorem. E Marvel Disney da sinal de que sabe como apresentar seus personagens separados. Aguardo do Universo Dc algo parecido embora tenha dúvidas mas isso já é um outro post... Continua...

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