terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre X-Men: 10 razões para amar os X-Men do Bryan Singer


Saiu o incrível trailer de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” que traz de volta à franquia Bryan Singer como diretor e Simon Kinberg como roteirista e de novo temos que deparar com o “mimimi”.
“Mimimi X-Men é ruim”, “Mimimi não é fiel aos quadrinhos”, “Mimimi não é fiel aos desenhos”, “Mimimi falta ação”.
É muito mimimi em torno da franquia X-Men da Fox. Sim, a franquia foi mal planejada, poderia ser melhor do que é. CERTAMENTE. Eu mesmo já tive ideias muito melhores. Mas o mimimi que os fanboys criam é completamente sem fundamento e nada tem a ver com esse mau planejamento.

É quase unanimidade (e eu estou com esses) que os filmes solo do Wolverine são grandes soníferos mal feitos e mal aproveitados.
Já postei aqui sobre ter curtido X-Men: Primeira Classe, mas me intriga os fãs endeusarem esse filme como se ele fosse a última bolacha do pacote. Falam dele como se ele fosse mega fiel aos quadrinhos (e definitivamente NÃO é), e acho que só falam isso por que o filme é colorido como os desenhos. Pagam pau pro Matthew Vaungh cuspindo no prato do Singer – que aliás, foi um dos criadores da história do First Class, ou seja... mimimi por falta de conhecimento.
Ok, o contexto histórico em que foi inserido o filme é genial e o filme é muito bom, mas o melhor da franquia, sério?
Considero o filme superestimado, mesmo gostando bastante dele.
Não faltam também comparações com a franquia dos Vingadores da Marvel Studios, que é grande, não podemos negar e que gasta com muitos efeitos especiais, também não podemos negar. Mas será mesmo que estão no topo como as melhores adaptações?

Personalidade, a gente vê por aqui.
OK, antes de enumerar as razões para amar os X-Men de Bryan Singer, enumerarei 4 fatos básicos:

- Nem toda boa adaptação é fiel ao original;
- A linguagem do cinema é diferente dos quadrinhos;
- Adaptar quadrinhos de heróis com décadas de idade é MUITO diferente de adaptar Graphic Novels como Sin City ou Watchmen;
- Quadrinhos não se tratam só de porrada e poderes;

Tendo em vista todos esses fatos, segue abaixo alguns motivos pelos quais os filmes do Bryan Singer para os X-Men estão entre os melhores filmes de super herói que já vi, mesmo com alguns defeitos horrorosos (foco mal distribuído nos personagens, personagens muito bons em face de personagens deficientes, erros toscos de cronologia, dentre outras coisas) e histórias beeeem diferentes dos quadrinhos.

1 - Pioneirismo

Bitch plz. Diga o que quiserem, eu sou o primeiro.
Digam o que quiserem. Temos sim ótimos filmes de super heróis antes de X-Men – O Filme (2000), mas poucos deles com a profundidade de roteiro, seriedade e grande produção como a Franquia X-Men teve. É inegável também que foi o início da porrada de adaptações de quadrinhos Marvel que existe hoje.


2 – Profundidade

Estou encarando a profundidade dos filmz
Alguns dos preferidos dos fãs de quadrinhos são os Batman do Nolan. Mas não, o Nolan não foi o primeiro a pegar um super herói e conferir verossimilhança, profundidade e discussões filosóficas em um filme de Supers...
Além de não ser um comparativo bom – são mutantes contra um cara bem treinado – temos também essa discrepância em relação à data de lançamento.
Desde X-Men – O Filme, os diálogos inteligentes e marcantes, assim como as discussões sócio-políticas são marca registrada dos X-Men que tem o dedo do Singer no meio, gerando cenas icônicas em termos de questionamentos – “O que impede um mutante como esse de entrar nas  nossas casas?”, “Você já tentou... não ser mutante?”, “Cura? Não há o que curar, não somos doentes”, “As pessoas terão medo e nos caçarão” são apenas alguns exemplos que lembrei agora – questionamentos à frente do tempo e que nunca estiveram tão atuais.
Afora isso, mesmo com uma quantidade grande de personagens, os filmes conseguem desenvolver bem as personalidades deles, o que nos leva ao ponto...


3 – Xavier e Magneto

-O que faremos com os fanboys da Marvel, Charles?
-Temos que tolerá-los, Eric!


Os X-Men do Singer e o do Vaungh (Que querendo ou não, também é do Singer), conseguiram algo que poucos conseguem: estabelecer uma relação complexa e ambígua entre personagens antagônicos e manter a coerência.

É incrível observar como os roteiros mantém firmes os pontos de vista e cosmovisões de Charles Xavier e Magneto sem parecer maniqueísta em nenhum momento, permitindo com que os autores brinquem com as infinitas possibilidades, ironias e recursos narrativos que a relação de ambos nos oferece.
Claro, as incríveis atuações de Ian McKellen e Patrick Stewart maximizam isso ao nível da genialidade.

(Aliás, mesmo nas versões mais jovens deles, o relacionamento de ambos é muito mais profundo, verossímil e interessante do que relacionamentos entre arquiinimigos nem tão inimigos assim de outros filmes de super heróis - vide Thor e Loki).



4 – Metade do Elenco



Não se metam comigo. Bitch plz.

Ok, nem todo o elenco se salva. Já falei no item anterior dos INCRÍVEIS McKellen e Stewart. Hugh Jackman pode não ser baixinho como o personagem de Logan nos quadrinhos, mas conferiu uma personalidade marcante ao Wolverine, sem perder o humor e sem perder a profundidade. Halle Berry é elemento decorativo na maior parte da franquia, o que me frustra, já que a Tempestade é uma das minhas favoritas, mas combinemos que além de ficar linda de cabelos brancos, quando ela aparece é pra deixar marcas. Fizeram uma Vampira insossa e revoltante de tão sonsa, mas a Anna Paquin segura bem as pontas. Rebecca Romijn Stamos não é nenhuma candidata ao Oscar, mas além de linda, confere a aura misteriosa necessária à Mística. Aliás, falando em Mística...

5 – Concepção Visual de Personagens e Acessórios

WHOolk?

É bem óbvio que não dá pra fazer tudo no cinema como é nos quadrinhos e essa é uma coisa que os fãs das HQ’s (que gostam de um carnaval e de reclamar das aparências dos personagens) prezam. Mas se a peruca da Tempestade estava horrorosa no primeiro X-Men, se Groxo e Dentes-de-Sabre pareciam saídos de um dos Batmans do Joel Schumacher, temos também algumas mudanças cinema-HQ’s simplesmente geniais.
A mais genial de todas, obviamente é a da Mística que se tornou uma criatura fascinante, a forma como ela se transforma foi uma ideia incrível, os desenhos no corpo são lindos, e eles conseguiram conferir à uma mulher azul sensualidade e beleza na medida certa.
A desculpa que arranjaram pras mechas brancas da Vampira foi ótima, e as marcas no corpo do Noturno não existem nos quadrinhos, mas deixaram o personagem fascinante também. Aliás, o modo como ele teleporta também é muito mais legal do que se tivessem colocado aquele estalo feioso dos desenhos.
Os figurinos comuns dos personagens são incríveis e estilosos.


Isso sem contar os acessórios e cenários. A Mansão é lindíssima, as cadeiras do Professor X são bem desenhadíssimas, os óculos do Ciclope são invejáveis, o X-Jato é muito bem feito e a concepção visual do Cérebro é melhor do que qualquer coisa que eu já vi nos quadrinhos.

Pra quem reclama que não usaram os uniformes coloridos e carnavalescos: Os quadrinhos tem milhares de versões de uniforme. E pra quem reclama muito as principais características estão lá. Cabelo branco da tempestade, penteado cafona do Wolverine, Xavier careca (pelo menos o velho), mechas brancas da Vampira, Mística azul, Noturno com rabo e orelhas pontudas, Fera azul e peludo, Jean Grey ruiva, Ciclope com cabelos castanhos... E no novo filme tem a Blink de cabelo roxo e marcas no rosto, Mercúrio com cabelo prateado e Bishop  negãocom cicatriz e cabelão. Tá tudo lá nos filmes.




6 – Diálogo sim, ação também

Aqui é reaça sócio-político, rapaz!
“Mimimi, falta mais ação”. Quer ação sem cérebro? Vai ver “Transformers” ou “Os Vingadores” (pronto falei). Desde o início fica claro que a proposta de X-Men não é só pancadaria (inclusive sobre isso falo no próximo item).
Mas não podemos reclamar das cenas de ação da franquia. A cena do sequestro da Vampira no primeiro, praticamente TODAS as cenas de ação do segundo (A invasão da Casa Branca é simplesmente GENIAL, os tornados da Tempestade são uma lindeza e o que dizer da fuga de Magneto da prisão?).
Aliás, genial é a palavra, por que não são só cenas de ação legais, mas muito bem dirigidas e filmadas com arte e criatividade.
Saindo um pouco da babação de ovo à direção do Singer, não podemos reclamar das cenas de ação de X-Men 3 também.


7 –  Infidelidade no Enredo, Fidelidade na Essência

Hoje estou sem paciência pra gente sem conteúdo. /1bjo
Ok, você pode não encontrar nenhuma história muito fiel aos quadrinhos na franquia, mas os fanboys de plantão deveriam saber que, assim como Nolan fez com o Batman posteriormente, Singer criou o próprio Universo dos seus X-Men, manteve a coerência com esse Universo criado o tempo todo e ainda captou a essência das mensagens e subtextos mais profundos presentes nos quadrinhos. E sinceramente, ele fez isso MUITO melhor do que os criadores da franquia da Marvel ou do novo Homem Aranha.


8 – Assinatura

Focaliza bem que eu vou sambar na cara da sociedade
Todo autor (em qualquer tipo de arte) tem sua assinatura, e quando faz sua adaptação de alguma coisa, gosta de deixa-la. Essa assinatura costuma sumir quando se trata de filmes puramente comerciais. O que não é o caso dos X-Men do Singer. A assinatura dele é tão forte que não teve como Brett Ratner fugir muito dela em X-Men 3 (embora tenha desrespeitado vários planejamentos do Singer para a franquia), quando a assinatura dele não está presente, a gente sente (vide os filmes solo do Wolverine), e mesmo quando ele não é o diretor, mas tem seu nome na parada, percebe-se que a assinatura dele está lá nas entrelinhas (vide Primeira Classe).

E um diretor que tem uma assinatura e não faz questão nenhuma de escondê-la mesmo em blockbusters merece respeito.


9 – Roteiro
Quem esses Avengers proletários acham que são?
Aqui é X2 - X-Men United, pºhª
Brian tem muita besteira em sua carreira, mas ele é dono de filmes memoráveis e de um dos plot twists mais famosos e geniais do cinema (o de Os Suspeitos). Sua assinatura da qual eu falei, inclui bons personagens, bons confrontos entre personagens e ótimos diálogos. O que não seria possível sem um ótimo trabalho em conjunto da direção com os roteiristas – aqui incluo o Simon Kinberg como alvo de elogios. Os roteiros dos filmes não são perfeitos. Sobretudo o do primeiro filme e também quando se trata de Tempestade e Vampira (:P), mas certamente são bem escritos.

Além dos pontos considerados acima, Bryan sabe como segurar uma franquia. Sabe como deixar um espectador curioso para ver uma continuação, sem, porém deixar muitas pontas soltas. Aliás, ele é um “provocador” de mão cheia, tanto nas referências feitas a personagens e elementos do Universo dos X-Men que não estão na trama principal, quanto em termos de jogar deixas geniais no colo do público. Além do mais, ele não tem pressa na hora de desenvolver a história, mas o timing é perfeito, nunca te deixando cansado. As 2 horas e 15 minutos de X-Men 2 passam com cenas de diálogos enormes e geniais e cenas de ação de tirar o fôlego e você nem vê.


10 – Aproveitamento de Recursos

Tem muito ferro no seu sangue.

Ok. Você pode não ter destruição em massa e muita pancadaria.

Mas não dá pra reclamar de que o Bryan SABE a hora de usar os poderes e o universo dos Mutantes causando um ótimo entretenimento pra quem quer só o entretenimento.
Primeira coisa é que você não tem nenhuma cena desnecessária de pancadaria e ação nos filmes. Sim, você tem as cenas que servem para exibir poderes, mas pouquíssimas delas (quase nenhuma na verdade, lembro-me apenas da luta contra a Lady Lethal no 2, que não tem muita serventia) são dispensáveis ao roteiro.
Aliás, os poderes nunca são abusados, mas também não são subestimados em cena. Ideias criativas e funcionais com base nos poderes dos mutantes são marca registrada que resultam em ótimas soluções para situações como a luta na Estátua da Liberdade, o uso que o Magneto faz de Vampira, a forma que encontram para tirar Magneto da cadeia, Mística conseguir invadir locais, dentre outras coisas que demonstram que o diretor e os roteiristas SABEM o que estão fazendo.
Além disso, Bryan faz algo que só quem tem uma visão muito aguçada consegue: brincar com os poderes dos seus heróis em coisas corriqueiras. Quer exemplos?
Um gesto obsceno pode ser feito de duas formas pelo Wolverine. Ou pra quê ter o trabalho de ficar pegando as coisas se você move objetos com a mente? O refrigerante tá quente? Pra quê geladeira quando se tem o Homem de Gelo? Coisas pequenas, mas que ficam interessantes na tela e mesmo que passem despercebidas, fazem com que o universo do filme se torne mais amplo e verossímil.

Então, crianças, foi assim que o mundo subestimou vocês,
os melhores...
A culpa dos X-Men não serem o que podem ser é mais da Fox como produtora/distribuidora do que do Singer como diretor. Se você der uma pesquisada, vai ver que o Singer tem tentado colocar os Sentinelas na franquia desde X-Men 2, mas a Fox sempre cortou o orçamento. Anjo também era pra ter aparecido em X2... X1 foi um filme com tom de piloto de série, introduzindo algo maior que viria a seguir - e muito bem feito pra um filme com um orçamento tão ridículo para os níveis hollywoodianos.
O Singer também teve uma visão de franquia que a Fox não teve: o jeito como ele guia de X1 pra X2 e as pistas que ele dá em X2 para o que seria seu X3 provam isso, ele desenvolveu os personagens com calma e chegaria ao ápice deles em seu X3... X2 une magistralmente Arma X, Deus Ama o Homem mata e o inicio da saga da Fênix com maestria... E os vislumbres da Fênix que vemos no filme mostram que ela seria uma Fênix bem mais próxima dos quadrinhos do que foi a de The Last Stand.

Acho que o Singer conhece mais os X-Men do que a gente imagina. O problema dele como diretor é que ele não ousa muito... Mas acho que Apocalypse pode mudar isso. As melhores cenas de ação da franquia pra mim são cenas que ele dirigiu, e as melhores cenas de drama/diálogo/desenvolvimento de personagens também estão em filmes dele.

Se esses não são motivos suficientes para você curtir os filmes do Singer, sem nenhuma pretensão ou preconceito, eu digo que talvez realmente seu Universo não esteja no Cinema puro e simples, e sim na mente mais ligada aos quadrinhos e desenhos animados de forma bem distinta do cinema enquanto arte. E por isso eu tenho esperanças que X-Men: Dias de um Futuro Esquecido seja um filmaço. Sendo ou não, eu te conto por aqui!

8 comentários:

  1. Muito bem redigido, meu caro Jônathas! Parabéns pelo texto! :)

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  2. Texto genial! conseguiu colocar em palavras tudo aquilo que eu pensava, parebéns!

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  3. Muito bom! É tão legal ver outras pessoas que concordam contigo. Conseguiu escrever tudo que eu pensava! Muito bom. Parabéns pelo texto! Lerei o de First Class agora.

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  4. Realmente conseguiu colocar nesse texto o que todos nós fans dos filmes achamos, e não sabemos lidar com a quantidade de críticas mal elaboradas de pessoas que não enxergam a profundidade dessas adaptações cinematográficas.

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  5. Falou tudo.
    Essa galera que fica de mimimi tem que aprender mais sobre o que é cinema e o que é quadrinhos. São linguagens diferentes. E outra, o universo Marvel no cinema foi o único realmente planejado com antecedência; nem os Batman do Nolan foram tão planejados assim. Fizeram o primeiro filme e se fosse sucesso fariam a franquia.
    no Caso da Marvel foi diferente, eles já começaram com a onda de filmes de quadrinhos em pleno vapor.
    E a franquia dos X-Men, só tem um filme realmente fraco, que é o primeiro solo do Wolverine. O filme do Brett Ratner não é nenhuma maravilha, mas está longe de ser um filme ruim.
    Seu texto foi muito bom.

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  6. Rapaz, texto sensacional, transcreveu exatamente o que eu penso da melhor franquia de super-heróis da história.

    Parabéns.

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