quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sobre o filme Imaginaerum




Faz um tempo que postei a notícia sobre o filme “Imaginaerum”, realizado pela banda finlandesa de symphonic metal Nightwish.
Aguardei ansiosamente para assistir o filme, mas sem esperar nada muito bom.
Acontece que ele me surpreendeu de duas formas diferentes: o roteiro está abaixo do que eu esperava e o visual (incluindo efeitos digitais) até me surpreenderam.
A premissa não chama muito a atenção de quem lê a sinopse. Mas quem lê a sinopse E assiste o trailer já fica curioso para assistir.

A mistura de drama com fantasia nos moldes do “Imaginaerum”, não é inédita, mas é rara e por si só já merece uma conferida.
Mas devo confessar que o filme deixou-me com um sentimento incômodo de frustração, não pelo que ele foi, mas pelo que poderia ser. Levando em consideração que é um filme realizado por uma banda sem experiência no assunto e que é o longa de estreia de um diretor que até então havia feito apenas clipes musicais e games, o filme se mostra surpreendentemente agradável de se assistir. Mas ainda assim há algo de decepcionante nele.

Antes que os fãs do Nightwish que AMARAM o filme me apedrejem, direi o porquê:


Para começar, o roteiro andou por caminhos que são perigosos. Um roteiro em formato de quebra-cabeça pode ser genial ou um desastre total. O Imaginaerum conseguiu ficar no patamar raríssimo do “quase”. Mas veja bem, talvez por cortes de orçamento ou simplesmente pelo portfólio de clipes musicais, diretor, banda e roteiristas fizeram uma narrativa em formato “puzzle” sem dar a devida atenção a tudo que deveriam e é uma narrativa CURTA demais. “Imaginaerum” tem o típico argumento que tem que tratar cada um dos seus personagens principais e seus conflitos com esmero tal que não fiquemos com nenhuma sombra de dúvidas a respeito da realidade em que estão.

Tendo isso em vista, algumas coisas foram trabalhadas de forma superficial demais para um filme que trata de assuntos tão profundos. O enredo foca tanto nas consequências das atitudes dos personagens que se esquece de focar no “como chegamos aqui”.
A história com a banda, o relacionamento Tom-Gem, os dramas familiares e os próprios personagens – Tom, Gem e Ann – tudo isso poderia ter sido tratado com mais cuidado e menos pressa e teríamos um filme mais consistente em sua proposta. Mas tudo acontece tão rápido e o passado é mostrado de forma tão rápida e confusa que fica difícil criar um elo com os personagens que tenha força suficiente para que o desfecho tenha o impacto pretendido.
É claro que o roteiro não é completamente leviano em relação a isso. Há no filme algumas sacadas geniais que fazem valer a pena assistir o filme duas vezes. Algumas coisas – pequenas frases soltas, alguns elementos visuais -  fazem muito mais sentido da segunda vez que se assiste e nesse caso isso NÃO é um defeito.
Mas ainda assim o roteiro foi conduzido de forma demasiadamente frenética para que pudéssemos captar toda a emoção e delicadeza que seu argumento carrega.

A direção de Stobe Harju não é insensível mas ele precisa desacelerar um pouco. Há muito da estrutura de clipes musicais em Imaginaerum e isso não deixou que o filme alcançasse seu ápice.
Por outro lado, Stobe se mostra visualmente inteligente e cria alguns pequenos espetáculos visuais que não estão ali apenas para entreter os olhos, mas se encaixam de forma até genial no roteiro (cenas como a do arabesco, a cena logo após, o clímax antes e durante a montanha russa e a ultima cena são os pontos altos ao meu ver).

Como fã da banda e do álbum que deu origem ao filme, também me decepcionei um pouco. As musicas do jeito que são aparecem muito pouco - pouco demais para um filme que leva o nome do álbum. Já sabia que Ghost River não entraria no filme, mas algumas canções foram mal aproveitadas, principalmente Scaretale – que tem uma ideia boa mas acabou ficando mal aproveitada e arrisco a dizer, mal dirigida - e  Turn Loose The Mermaids – que foi uma linda cena, mas que não aproveitou tudo o que a música tinha a oferecer.
A melhor cena foi a de “Arabesque” que apresenta-nos um quadro genial, mas ao mesmo tempo se demora demais unicamente em  uma música que tinha muito menos a mostrar do que as duas que citei acima.
O desfecho é especialmente poético e nos deixa com um sentimento agridoce na boca.

As atuações são bem medianas, e o único que ao meu ver merece realmente os aplausos é o Francis McCarthy que conseguiu fazer um Thomas convincente mesmo perdido em seu mundo de fantasia. O pequeno Quinn Lord parece mais perdido ainda que seu personagem e só se encontra no final do filme, quando é tarde demais. Joanna Noyes faz uma Ann misteriosa e interessante, mas tenta parecer “diva” demais para um papel que exigiria mais humanidade e um misto equilibrado da sua ironia com delicadeza. Marianne Farley não é ruim, mas parece forçada na maioria das cenas em que se exige demais dela. Talvez isso também seja culpa da direção.

De forma geral, o filme é algo que agradará muito aos fãs da banda e surpreenderá de maneira positiva aqueles que não esperavam muito dele. Mas como fã de cinema, fico triste ao perceber que “Imaginaerum” poderia ter sido um filme genial e não foi.

3 comentários:

  1. Eu também achei o filme muito "mal mastigado", mas como não esperava nada demais, eu meio que fiquei naquela de "me contentei". Não imaginava um filme executado com excelência, mas eu gostei do resultado final.

    E eu queria ver você falando do figurino, fotografia e cg.

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    1. AHuiaha escrevi isso às pressas. Daqui um mes eu ja terei mudado coisas o suficiente pra esse texto parecer outro.
      HAuhsuha

      Fotografia: típica dos clipes do Stobe, azulada como as coisas do Nightwish, mas funciona bem dentro do filme. A paleta de cores está interessante, mas nada assim genial.

      Figurino: Ahh... nada assim tãaao digno de atenção.

      CG: Bom. Muito bom pelo que eu esperava do filme. Nenhum avatar da vida e algumas cenas estão abaixo da média, mas o filme não exige que sejam realistas.

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  2. Quando eu crescer eu quero ser igual ao jô. *-*

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